Nos próximos parágrafos, vamos tratar um pouco da importância do entendimento desse tema e acima de tudo desmistificar a ideia de que seja um bicho de 7 cabeças, afinal tudo em nossa existência pode ser explicado pela Neurociência.

Comecemos por entender do que se trata a Neurociência, pois em definição literal podemos observar que se trata de qualquer ciência, ramo de ciência ou conjunto de conhecimentos que se refere ao sistema nervoso.

Tradicionalmente, tem a neurociência como objetivo, estudar o funcionamento do sistema nervoso, como ele se organiza funcional e estruturalmente. Na última década, avançamos quanto a necessidade de não só criar base de conhecimento a essas questões, mas sim de avaliar a repercussão que esse funcionamento evidencia sobre comportamentos, comunicação, pensamentos, emoções ou sentimentos e geração de crenças.

Relacionar o cérebro com a mente é tarefa para neurociência cognitiva que é uma mistura entre a psicologia cognitiva e a ciência. Preocupações com a memória, atenção e linguagem estão por conta da psicologia cognitiva que à grosso modo, atrelada a ciência, estudará a relação do cérebro com os nossos comportamentos e, portanto, é objeto efetivo dos estudos relacionados a performance e desenvolvimento humano. Em todo caso, é importante que relacionemos do que trata a Neurociência em sua totalidade;

• Neuropsicologia: Estuda a interação que há entre as ações dos nervos e as funções ligadas à área psíquica.
• Neurociência cognitiva: Foca na capacidade cognitiva (conhecimento) do indivíduo, como o raciocínio, a memória e o aprendizado.
• Neurociência comportamental: Nesse caso procura-se estabelecer uma ligação entre o contato do organismo e seus fatores internos (emoções e pensamentos) ao comportamento visível, como a forma de falar, de se postar e até mesmos os gestos usados pela pessoa.
• Neuroanatomia: Uma das partes mais complexas da neurociência, ela tem por objetivo compreender toda a estrutura do sistema nervoso. Com isso, o estudioso precisa separar o cérebro, a coluna vertebral e os nervos periféricos externos para analisar cada item com muita cautela a fim de compreender a respectiva função de cada parte e nomeá-la.
• Neurofisiologia: Temos a neurofisiologia, que estuda as funções ligadas às várias áreas do sistema nervoso.

Abarcado pela neurociência está a pesquisa fundamental até a aplicada que trabalha com a repercussão dos mecanismos correlatos ao comportamento. Dentro da neurociência é a neurociência cognitiva que descobre como funcionam as funções superiores, como já ditas, a linguagem, a memória e umas das mais fundamentais, a capacidade de tomar decisões.

A neurociência cognitiva tem como objetivo principal estudar as representações nervosas dos atos mentais. Ela se concentra nos substratos neurais dos processos mentais. Isto é, o que representa para nosso cérebro, em termos de funcionamento, quando nos comportamos, pensamos, sentimos? Existem partes específicas que já foram detectadas do cérebro encarregadas de funções sensoriais ou motoras, mas somente representam um quarto do total do córtex.

São as áreas de associação, que não possuem uma função específica, as encarregadas de interpretar, integrar e coordenar as funções sensoriais e motoras. Seriam as responsáveis pelas funções mentais superiores. Áreas cerebrais que governam as funções como a memória, o pensamento, as emoções, a consciência e a personalidade são muito mais difíceis de localizar.

A memória está vinculada ao hipocampo, situado no centro do encéfalo. Em relação às emoções, sabe-se que o sistema límbico controla a sede e a fome (hipotálamo), a agressão (amígdala) e as emoções em geral. No córtex, onde se integram as capacidades cognitivas, é o lugar em que se encontra nossa capacidade de ser conscientes, de estabelecer relações e de realizar raciocínios complexos.

As emoções são uma das características essenciais da experiência humana normal, todos as experimentamos. Todas as emoções são evidenciadas por meio de mudanças motoras viscerais e respostas motoras e somáticas estereotipadas, sobretudo o movimento dos músculos faciais.

Tradicionalmente, as emoções eram atribuídas ao sistema límbico, o que continua se mantendo, mas sabe-se que há mais regiões encefálicas envolvidas.

As outras áreas às quais se estende o processamento das emoções são a amígdala e a face orbitária e medial do lóbulo frontal. A ação conjunta e complementar de tais regiões constitui um sistema motor emocional. As mesmas estruturas que processam os sinais emocionais participam de outras tarefas, como a tomada racional de decisões e, inclusive, os julgamentos morais.

Os núcleos viscerais e motores somáticos coordenam a expressão do comportamento emocional. A emoção e a ativação do sistema nervoso autônomo estão intimamente ligadas.

Sentir qualquer tipo de emoção, como medo ou surpresa, seria impossível sem experimentar um aumento na frequência cardíaca, transpiração, tremor. Isso são emoções! As emoções são uma ferramenta constituída que informa às outras pessoas sobre o nosso estado emocional. Foi demonstrada a homogeneidade na expressão de alegria, tristeza, ira e outros tantos sentimentos em diferentes culturas. É uma das maneiras que temos de nos comunicar e criar empatia com as pessoas. Emoções.

Através da comunicação, geramos um pensamento que conduz a um sentimento que pode se transformar em uma crença. A comunicação entre os neurônios ou sinapse neural se da através dos neurotransmissores que acionados, geram os caminhos neurais (bainha de mielina) e se for em ação massiva, repetidas vezes ou através de forte impacto emocional, gera aquilo que conhecemos como crença. Mas esse será assunto para um próximo artigo.

Esperamos que tenham gostado.